Corinthians de todos os corinthianos: por que a reforma do estatuto não resolve a crise estrutural do clube

Corinthians de todos os corinthianos: por que a reforma do estatuto não resolve a crise estrutural do clube

O CORINTHIANS PARA OS CORINTHIANOS”

Leiam com atenção

O sistema eleitoral e político do Corinthians, além de ultrapassado, segue sendo profundamente prejudicial aos interesses do clube. A lógica que prevalece há anos é a da manutenção de privilégios, absorvidos por boa parte dos conselheiros e pelos chamados líderes políticos, que, na prática, quase sempre deixam em segundo plano as grandes mudanças que o Corinthians tanto precisa realizar.

Sem reformas estruturais, o Corinthians não deixará de ser um gigante. Mas continuará abrindo mão, na prática, dessa grandeza. E a consequência disso é clara: aprofundamento da crise financeira, perda de competitividade e condições muito menores de exercer, no futebol, o protagonismo que o Corinthians deveria ter como um dos maiores clubes do Brasil.

Ontem, Romeu Tuma, que como presidente do Conselho postergou o quanto pôde o afastamento de Augusto Melo, voltou a demonstrar atitudes que indicam estar mais preocupado com seus próprios interesses — entre eles, muito possivelmente, a chegada à presidência do clube.

Depois de o Corinthians conseguir se livrar do verdadeiro tsunami provocado pela gestão desastrosa de Augusto Melo, o mínimo que se esperava era uma união em torno de Osmar Stábile, diante da situação caótica herdada. O atual presidente, e isso é um fato, ainda não teve um instante mínimo de tranquilidade. São inúmeras cobranças financeiras, problemas com transfer ban, quadro de funcionários inchado e inflacionado, além de uma base do futebol marcada por quase uma centena de contratações.

Somam-se a isso pendências milionárias envolvendo casos como Rojas, Félix Torres e Garro, apenas para citar alguns exemplos. Há ainda dívidas difíceis de imaginar com empresários de jogadores, além do contrato irresponsável firmado com Memphis Depay.

O Corinthians, e o que aconteceu ontem na reunião do Conselho Deliberativo, escancarou de vez a necessidade urgente de separar a administração do futebol da administração social do clube. A reforma do estatuto, da forma como foi conduzida, é pífia e reforça o atual status quo, que já se mostrou altamente prejudicial ao Corinthians. Possibilitar ao Fiel Torcedor o direito de voto, mas mantendo os mesmos protagonistas com poder para disputar o Conselho, apenas fortalece o modelo que vem adoecendo o clube há anos.

Sócio Torcedor

O Corinthians precisa abrir espaço para que todos os corinthianos que queiram participar e contribuir tenham esse direito. Os associados contribuintes do Corinthians deveriam ser os responsáveis pelo clube, mas com a abertura real para que os mais de 30 milhões de corinthianos sejam valorizados, porque a Fiel Torcida é o maior patrimônio que o Corinthians possui.

Dar direito a voto apenas aos participantes do Fiel Torcedor — programa criado originalmente para a comercialização de ingressos — é muito pouco diante da grandeza da torcida corinthiana. A criação de um modelo de Sócio Torcedor com participação política efetiva abriria a possibilidade de contribuição e participação, inclusive financeira, de corinthianos de todo o Brasil e do mundo. E mais do que votar na administração do futebol, esse corinthiano também deveria ter o direito de ser votado.

Num primeiro momento, os atuais membros adimplentes do Fiel Torcedor poderiam receber automaticamente o enquadramento como Sócio Torcedor, com a vantagem de ter contabilizado o tempo de adimplência para consolidar o direito de votar e também de disputar espaços de representação.

O presidente Osmar Stábile já sinalizou, dentro das limitações impostas pelo cenário atual, que é favorável à separação das finanças do clube e do futebol. O Parque São Jorge, que é motivo de orgulho para todos os corinthianos, certamente teria muito mais condições de atender os anseios dos atuais associados e também de quem vier a se associar no futuro, caso tivesse uma administração própria, organizada e independente.

O Corinthians tem lugar reservado entre os maiores clubes do mundo. Este caminho já pareceu mais próximo quando o clube conquistou o Mundial de 2012. Ainda assim, o potencial do Corinthians continua sendo imenso, singular e sem comparação em todo o continente americano.

Torcedor corinthiano: o Corinthians precisa ser, de fato, de todos os corinthianos. Lutem para que isso aconteça.

Cláudio Faria Romero Vila Maria

“O Corinthians precisa do amor de todos os corinthianos”

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