Fiel Torcedor? O certo é Sócio Torcedor!

Fiel Torcedor? O certo é Sócio Torcedor!

Amigos corinthianos, com todo o respeito, leiam com atenção, pois o futuro melhor para o Corinthians pode ser alavancado pelo que estou propondo.

Até a década de 70 e meados da década de 80, o Corinthians contava com uma grande quantidade de associados, chegando perto de 100 mil. O futebol, praticamente, dependia das bilheterias dos jogos e, sem a mesma importância que tem atualmente, da venda de jogadores. A renda social cobria os déficits do Departamento de Futebol.

O Parque São Jorge tinha finais de semana com mais de 20 mil frequentadores, piscinas lotadas e grande movimentação social. Para se ter um paralelo, o Conselho Deliberativo tinha 700 componentes; o atual tem 300.

Diante desse cenário, era até justo que as grandes decisões fossem tomadas pelos associados e, paralelamente, pelos conselheiros eleitos.

De algumas décadas para cá, tudo foi mudando. Atualmente, as rendas das bilheterias representam uma pequena porcentagem do que o Clube arrecada. Por exemplo, o Corinthians, jogando três vezes por mês na Neo Química Arena, não arrecada o suficiente para cobrir o salário de Memphis Depay, uma contratação absurda.

Por outro lado, pela imensidão da Torcida Corinthiana, o marketing passou a ser um dos maiores ativos do Clube. Aliado às rendas obtidas com as TVs, representa praticamente 90% do que o Corinthians arrecada, excluindo eventuais vendas de jogadores.

E o Parque São Jorge, que precisa ser exaltado por ser o maior entre os clubes que têm o futebol como referência, além de perder relevância em relação ao orçamento corinthiano, atualmente produz grandes déficits. Neste ano de 2026, esse déficit deve passar de R$ 130 milhões.

Propondo reflexão sobre o Sócio Torcedor

O Corinthians, afirmo com convicção, é gigante. Não vai fechar, nem acabar, pela força de sua massa torcedora. Mas está vivendo momentos extremamente complicados, fruto de administrações que não tiveram competência e até seriedade na condução das finanças do Clube.

Isso não começou com o Grupo Renovação e Transparência. Teve sua origem nos mandatos de Wadih Helu, na década de 60. Mas, certamente, começou a ficar fora de controle nas últimas gestões de Alberto Dualib. Agravou-se com a teimosia do Grupo Renovação e Transparência em permanecer no poder. E teve efeito apocalíptico com Augusto Melo na presidência, alicerçado em seu diretor financeiro, Pedro Silveira.

É de extrema urgência que seja efetivamente promovida a separação administrativa entre Futebol e Clube. Com todo respeito aos associados corinthianos — muitos realmente pensam no bem do Corinthians — não dá para continuar fortalecendo o atual status quo, que já provou ser ineficaz.

A parte social, bem administrada e sem a interferência política do futebol, pode encontrar caminhos para se autossustentar. Inclusive, com um prazo para que isso venha a ocorrer, por meio de aportes repassados pela arrecadação do futebol, como, por exemplo, 5% a 10% do marketing.

Nas próximas postagens, vamos nos aprofundar, com sugestões para serem debatidas, sobre como isso poderia ocorrer.

A reforma estatutária que está sendo proposta, principalmente no item referente a conceder voto aos membros do Fiel Torcedor, pode ser um verdadeiro Cavalo de Troia. Pois, amigos corinthianos, esses votos dos Fiéis Torcedores — que, pelo projeto, ainda terão que pagar uma grande quantia para ter direito a votar — serão direcionados para o mesmo mundo político que conviveu e contribuiu para o Corinthians chegar ao atual endividamento.

Permitam-me dizer: a situação pode piorar. Isso dará ainda mais legitimidade a uma estrutura que precisa ser mudada radicalmente.

Separando o Clube do Futebol, precisa ser criada a categoria Sócio Torcedor. Essa categoria ampliaria as possibilidades de participação para além dos mais de 100 mil membros do Fiel Torcedor, abrindo espaço para todos os corinthianos que queiram contribuir, ter sua opinião ouvida e ser consultados dentro de um universo de mais de 35 milhões de corinthianos.

E mais: com direito a votar e ser votado!

Vou insistir neste tema, trazendo mais subsídios. Acredito que a implantação do Sócio Torcedor, junto com a inserção do Corinthians no mercado acionário, tem capacidade de encontrar soluções concretas não apenas para o Clube sair definitivamente da grave crise financeira, mas também para abrir caminho rumo ao necessário protagonismo no cenário nacional e à inserção definitiva do Corinthians entre os maiores clubes do mundo.

Cláudio Faria Romero Vila Maria
Corinthians Supremo

Fonte:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *