Memphis Depay: A legítima reflexão do Metaleiro (Gaviões)

Memphis Depay: A legítima reflexão do Metaleiro (Gaviões)

Amigos Corinthianos, tenho uma vivência nas arquibancadas que remonta à fundação dos Gaviões da Fiel e, posteriormente, à Camisa 12. O Metaleiro (Douglas Deungaro), ex-presidente dos Gaviões, continua participando ativamente da entidade e atualmente integra seu Conselho Fiscal.

Em 22 de dezembro de 1974, o Corinthians, que já acumulava uma fila de 20 anos sem títulos, decidiu o Campeonato Paulista contra o Palmeiras. Perdemos por 1 a 0, diante de 120.522 torcedores no Morumbi, em uma partida que marcou profundamente uma geração de corinthianos.

Naquele jogo, Roberto Rivellino, um dos maiores jogadores da história do Corinthians, teve uma atuação abaixo do que todos esperavam. Justamente ele, que representava uma das maiores esperanças dos corinthianos para colocar fim ao longo jejum. Na época, houve uma enorme pressão da torcida pela saída de Rivellino, que acabou deixando o clube e seguindo para o Fluminense.

Isto colocado, quase 52 anos depois, vivenciamos mais um dia que, além de triste, representa, na minha opinião, o momento mais crítico da passagem de Memphis Depay pelo Corinthians.

Excêntrico, muitas vezes se comportou, na minha avaliação, de uma maneira incompatível com o que se espera de um jogador que veste a camisa do Sport Club Corinthians Paulista. Sua contratação envolveu valores altíssimos para a realidade financeira do clube, e sua posterior renovação voltou a provocar intensas discussões sobre o custo do jogador. O novo vínculo, assinado em agosto de 2026 e válido até julho de 2028, tem custo estimado em cerca de R$ 135 milhões para o Corinthians.

Em sua passagem inicial pelo Corinthians, Memphis registrou 20 gols e 15 assistências em 79 partidas. São números que precisam ser colocados na balança diante de todo o investimento realizado pelo clube.

Memphis participou das conquistas do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil e da Supercopa, e teve importância em momentos dessas campanhas. Em determinados períodos, parte da mídia e da própria torcida atribuiu ao jogador um protagonismo muito grande nessas conquistas. Na minha avaliação, entretanto, o futebol é coletivo e nenhum título pode ser creditado exclusivamente a um atleta.

Vou citar também outro episódio que me incomodou. Memphis promoveu grandes festas de aniversário durante períodos de competições oficiais, contando com a presença de diversos jogadores e integrantes do Corinthians. Em fevereiro de 2026, por exemplo, sua festa ocorreu enquanto o elenco se preparava para uma partida decisiva do Campeonato Paulista contra o São Bernardo.

E, permitam-me, amigos Corinthianos: fiquei profundamente decepcionado com a aceitação de parte da mídia e, infelizmente, também de muitos membros da Fiel Torcida, diante do clipe em que Memphis Depay aparece contemplando artisticamente o Parque São Jorge em chamas.

O episódio teve repercussão negativa dentro do próprio Corinthians. A diretoria anunciou medidas contratuais e o jogador acabou sendo multado pelo clube por causa das imagens utilizadas no videoclipe. Memphis afirmou posteriormente que se tratava de uma obra artística e que não incentivava qualquer ato de violência.

Na minha opinião, naquele momento, a diretoria já deveria ter avaliado de maneira muito mais profunda a continuidade do jogador.

Alonguei-me um pouco porque o principal motivo desta publicação é parabenizar os comentários do ex-presidente dos Gaviões, Metaleiro.

Sua manifestação chama os corinthianos para uma reflexão que considero necessária.

Memphis Depay ainda tem condições de continuar vestindo o manto alvinegro?

Para mim, não.

O Corinthians enfrenta graves dificuldades financeiras, e os valores envolvidos no contrato e na renovação do atacante precisam necessariamente entrar nessa discussão. Somente o novo contrato, válido até julho de 2028, representa um compromisso estimado em aproximadamente R$ 135 milhões, incluindo valores relacionados à dívida do vínculo anterior.

E então chegamos à Libertadores.

Na quarta-feira, 16 de setembro, contra o Estudiantes, Memphis teve nos pés a possibilidade de empatar o jogo no último lance e levar a decisão para os pênaltis.

Cobrou. Chutou por cima do gol. E o Corinthians foi eliminado da Libertadores.

Foi um lance decisivo e extremamente doloroso. Evidentemente, uma eliminação não pode ser explicada por um único lance ou atribuída exclusivamente a um jogador — o próprio executivo Marcelo Paz e o técnico Fernando Diniz evitaram individualizar a responsabilidade —, mas é impossível ignorar o peso daquela cobrança dentro da partida.

Antes do retorno de Memphis às atividades, o Corinthians vinha conseguindo avançar na Libertadores e atravessava outro momento no Campeonato Brasileiro. Atualmente, depois da eliminação continental e de uma sequência negativa na competição nacional, o Corinthians aparece em 14º lugar, com 32 pontos, apenas quatro acima da zona de rebaixamento.

E os números individuais de Memphis em 2026 também são preocupantes: até este momento, o atacante marcou apenas um gol na temporada, contra o Santos, em março. Após retornar ao Corinthians, também participou do gol decisivo contra o Rosario Central, dando a assistência para Breno Bidon garantir a classificação às quartas de final da Libertadores.

Por isso, concordo com a necessidade de uma profunda reflexão.

O problema do Corinthians, evidentemente, não começa nem termina em Memphis Depay. O clube precisa de mudanças administrativas, financeiras e estruturais muito maiores.

Mas também acredito que chegou o momento de discutir, com responsabilidade, se ainda existe espaço para Memphis Depay dentro desse novo Corinthians que precisa ser reconstruído.

O Corinthians precisa de reformas estruturais. E, na minha opinião, Memphis Depay não deve mais vestir a camisa corinthiana.

Cláudio Faria Romero – Vila Maria

“O Corinthians precisa do Amor de todos os Corinthianos!”

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