Amigos corinthianos, estamos convivendo com um período importante e extremamente difícil da história do Corinthians. E, permitam-me dizer: estamos mais “assistindo” do que participando.
Na minha avaliação, a gestão de Augusto Melo e de seu diretor financeiro, Pedro Silveira, agravou profundamente a situação financeira do Clube. Não que o Corinthians viesse bem. Pelo contrário. Augusto Melo só chegou à presidência em razão, também, dos erros acumulados e da insistência do grupo Renovação e Transparência em permanecer no poder. O Clube já havia perdido protagonismo no futebol e as dívidas alcançavam números preocupantes.
Diante desse cenário, Osmar Stabile assumiu o Corinthians em meio a uma das maiores crises de sua história. Naquele momento, acredito que seriam necessárias mudanças estruturais imediatas e, paralelamente, uma grande união em torno da necessidade de enfrentar os graves problemas existentes.
Infelizmente, por mais que a nova Diretoria tenha procurado soluções, o endividamento era enorme e os credores permaneciam ativos. Com isso, uma das saídas encontradas foi pagar determinadas dívidas enquanto outras eram contraídas e/ou receitas futuras eram antecipadas.
Soma-se a essa situação a perda de credibilidade institucional, agravada pelas sucessivas controvérsias envolvendo o Corinthians fora das quatro linhas.
O Flamengo, no passado, também enfrentou enormes dificuldades e precisou de um verdadeiro choque de gestão, com Eduardo Bandeira de Mello comandando o início de uma profunda reorganização administrativa e financeira.
Nosso principal adversário, o Palmeiras, que inclusive disputou a Série B duas vezes e também atravessou uma grave crise, encontrou, durante a administração de Paulo Nobre, um caminho para enfrentar seus problemas estruturais e financeiros.
Hoje, esses dois clubes ocupam posição de enorme destaque no futebol brasileiro e ampliaram significativamente sua capacidade financeira e esportiva.
Sem me alongar excessivamente, acredito que o Corinthians, em razão de sucessivas más gestões, abdicou de uma posição que poderia ser muito mais relevante no futebol brasileiro. Em uma época em que a força econômica das torcidas possui importância cada vez maior, o Corinthians, em vez de transformar sua imensa torcida em vantagem competitiva, mergulhou em uma crise sem precedentes.
Mesmo assim, não acredito na afirmação de que “o Corinthians precisa ser salvo”.
Mesmo adoentado, continua sendo um gigante e possui todas as condições para se reerguer. Para isso acontecer, entretanto, será necessária a participação e a cooperação dos corinthianos que desejarem contribuir efetivamente com o futuro do Clube.
Separação administrativa entre Clube e Futebol
Tenho absoluta convicção de que a separação administrativa entre Clube e Futebol precisa se tornar realidade.
O Clube Social poderia, inclusive, mirar o objetivo de se transformar em uma potência olímpica, utilizando como uma das referências modelos de administração como o do Esporte Clube Pinheiros.
Não faltaria trabalho para os sócios patrimoniais e conselheiros do Parque São Jorge, principalmente na preservação, modernização e valorização do enorme patrimônio corinthiano.
Já o Futebol, com administração própria, poderia reunir também o Futebol Feminino, as categorias de Base, o Futsal, o CIFAC e o Chute Inicial, além, naturalmente, da Neo Química Arena e do Centro de Treinamento.
Sócio Torcedor com direito a votar e ser votado
Para fornecer sustentação a esse novo modelo, considero fundamental a criação da categoria Sócio Torcedor.
Seria algo diferente do que vinha sendo discutido na proposta de reforma estatutária, que chegou a prever direito de voto para participantes do programa Fiel Torcedor. O Conselho Deliberativo chegou a aprovar, em abril de 2026, uma proposta de voto para integrantes do programa, embora o processo de reforma estatutária tenha posteriormente enfrentado novos questionamentos e disputas jurídicas.
Na minha proposta, o Sócio Torcedor teria direito a votar e ser votado.
Poderia existir um Conselho Deliberativo específico para o Futebol, abrindo efetivamente o Corinthians para a participação de milhões de torcedores espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Paralelamente — e isso considero essencial diante do atual momento financeiro — seria possível utilizar a extraordinária força da Fiel Torcida como instrumento de arrecadação e capitalização.
Além de uma contribuição mensal, poderiam ser estudadas formas regulamentadas e transparentes de inserir o Futebol Corinthiano no mercado financeiro, permitindo diferentes modalidades de participação dos torcedores e investidores.
Corinthians precisa ampliar sua presença empresarial
Se consideramos o Corinthians um dos maiores clubes do Brasil em torcida, exposição e capacidade de mobilização, precisamos transformar esse potencial em estrutura empresarial, relacionamento institucional e novas receitas.
Seria fundamental, por exemplo, a criação de um grande Escritório de Representação e Negócios no eixo Faria Lima–Luís Carlos Berrini, principal centro financeiro e corporativo de São Paulo.
Esse escritório poderia centralizar grandes negociações, parcerias, investidores, patrocinadores, projetos internacionais e novas oportunidades comerciais, mostrando que o Corinthians está aberto para todo o Brasil e também para o mundo!!!
Eleições de 2026 e ausência de propostas estruturais
Amigos corinthianos, estou acompanhando o, até agora, melancólico quadro eleitoral corinthiano para as eleições previstas para 28 de novembro de 2026.
A Comissão Eleitoral definiu essa data para a escolha do presidente, vice-presidentes e conselheiros para o mandato de 2027 a 2029.
O que vejo, até o momento, são poucas propostas realmente capazes de modificar a estrutura administrativa atual.
Vejo chapas de conselheiros concentradas principalmente na disputa eleitoral e pré-candidaturas à Presidência que, até aqui, ainda precisam apresentar de maneira muito mais clara como pretendem romper com o status quo existente no Parque São Jorge.
E essa ausência de alternativas estruturais também abre espaço para o crescimento do projeto SAFiel.
SAFiel precisa ser amplamente debatida
A SAFiel apresenta uma proposta de reorganização do futebol corinthiano por meio de uma estrutura empresarial, com participação de torcedores, capitalização e novos mecanismos de governança. O próprio projeto afirma pretender profissionalizar a gestão, enfrentar o endividamento e proporcionar participação ao torcedor.
Entretanto, considero que uma transformação dessa dimensão não pode ocorrer sem amplo debate, transparência absoluta e conhecimento detalhado das consequências jurídicas, financeiras e administrativas.
Para mim, aceitar uma mudança estrutural dessa magnitude sem todas as informações necessárias seria um verdadeiro “tiro no escuro”.
Também considero fundamental analisar com muito cuidado as pessoas e os grupos envolvidos ou que venham a declarar apoio a qualquer projeto, principalmente diante do histórico administrativo que levou o Corinthians à situação atual.
O Corinthians precisa de reformas estruturais
O Corinthians precisa de reformas estruturais.
E, na minha visão, elas deveriam começar pela separação administrativa entre Futebol e Clube Social.
Na sequência, deveria ocorrer a criação imediata de uma verdadeira categoria Sócio Torcedor, com mecanismos que permitam ao corinthiano participar efetivamente das decisões do Futebol.
Direito a votar.
Direito a ser votado.
Direito a participar.
Não podemos continuar com milhões de corinthianos apenas assistindo ao que acontece enquanto um universo extremamente limitado decide os rumos de uma das maiores instituições esportivas do Brasil.
A força necessária para reconstruir o Corinthians pode estar justamente onde sempre esteve:
Na Fiel Torcida!!!
Em tempo
A possibilidade de proibição das bets ou de fortes restrições à publicidade e ao patrocínio das empresas de apostas esportivas representa mais um potencial complicador para as receitas do futebol brasileiro e, consequentemente, para o Corinthians. Existem atualmente propostas legislativas tanto para restringir severamente publicidade e patrocínios quanto para proibir as apostas de quota fixa no Brasil.
Isso reforça ainda mais a necessidade de o Corinthians diversificar suas receitas e convocar sua gigantesca torcida para participar efetivamente da vida econômica, administrativa e institucional do Clube.
Cláudio Faria Romero – Vila Maria
“O Corinthians precisa do Amor de todos os Corinthianos!”