Acredito que muitos corinthianos estejam com a mesma sensação de “alma lavada”. A classificação para as quartas de final da Libertadores veio da forma que a Fiel Torcida mais deseja: com o time jogando com muita raça e determinação. Nos dois confrontos, o Corinthians precisou atuar por longos períodos com um jogador a menos.
E acreditem: o Corinthians começa a assumir protagonismo na Libertadores. Faltam cinco partidas para chegar ao título e, com uma situação razoável no Campeonato Brasileiro, a competição internacional deve ser priorizada. Com o elenco completo, o Timão tem condições de enfrentar e vencer qualquer adversário.
Diante disso, ontem voltou a sensação — e até a certeza — de que os grandes problemas enfrentados pelo Corinthians podem ser superados. É uma questão de bom senso, de romper com o atual status quo e de conceder o devido valor ao maior tesouro do clube: sua imensa e inigualável Fiel Torcida.
Sim, meus amigos corinthianos: todos aqueles que desejam contribuir e participar precisam lutar para ampliar essa mobilização. Apoiar, cobrar e manifestar-se são atitudes válidas e coerentes. Entretanto, a possibilidade de interferir diretamente nas grandes decisões do Corinthians precisa ser um direito assegurado aos torcedores.
O modelo atual do Corinthians, no qual os associados patrimoniais e remidos decidem entre si e escolhem dirigentes e conselheiros, está mais do que ultrapassado. No máximo, deveriam decidir exclusivamente sobre os rumos do Parque São Jorge, cuidando do clube social, zelando pelo patrimônio e atendendo aos anseios dos sócios contribuintes.
Não é coerente que esse grupo também tenha o direito exclusivo de decidir sobre o futebol, sobretudo quando o clube social não consegue sustentar as próprias despesas. A área social mantém um resultado negativo expressivo: o orçamento aprovado para 2026 projetou um déficit de aproximadamente R$ 27 milhões. Além disso, na minha avaliação, essa estrutura continua sendo utilizada pelas gestões para “premiar” apoiadores durante os processos eleitorais.
Por isso, pergunto: você, amigo corinthiano, sente-se representado pelos candidatos que estão disputando a Presidência nas eleições do final do ano? Você conhece propostas que realmente possam contribuir para reduzir os graves problemas enfrentados pelo clube?
Reformas Estruturais
O que não pode mais ser adiado é a separação administrativa entre o clube social e o futebol. O Parque São Jorge precisa ser preservado, pois representa um grande clube social. Contudo, não pode continuar limitando o enorme potencial econômico e institucional do Corinthians, representado por cerca de 35 milhões de torcedores.
A administração do futebol também seria responsável pelas categorias de base e por todos os projetos relacionados, como o CIFAC, o Chute Inicial, o Futebol Feminino e o Futsal — modalidade com grande potencial para revelar talentos ao elenco corinthiano.
Essa estrutura teria gestão independente, fora do Parque São Jorge, inclusive com um Conselho Deliberativo próprio. O Corinthians também deveria manter um grande escritório de representação no eixo formado pelas regiões da Faria Lima e da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, demonstrando abertura para grandes parcerias com empresários do Brasil e do mundo.
Paralelamente, nos próximos meses, seria essencial regulamentar uma verdadeira categoria de Sócio Torcedor com participação política efetiva. Na minha avaliação, o que está previsto na atual reforma estatutária que será submetida à Assembleia Geral é profundamente insuficiente.
Conceder o direito de voto aos participantes do Fiel Torcedor, nos moldes propostos, poderá fortalecer ainda mais a estrutura política atual. Afinal, os votos continuarão sendo disputados pelos mesmos grupos, conselheiros e candidatos já integrados à política interna do clube.
É necessário regulamentar o Sócio Torcedor. Com a separação administrativa entre clube social e futebol, o torcedor deveria ter o direito de votar e ser votado. Paralelamente, seria indispensável elaborar um planejamento financeiro baseado em transparência, profissionalismo e credibilidade, considerando inclusive a possibilidade de o Corinthians ingressar no mercado acionário.
O River Plate, da Argentina, vem mudando de patamar. O clube possui mais de 350 mil associados e uma grande capacidade de arrecadação. E o clube argentino, com todo o respeito, está longe de possuir o mesmo potencial popular do Corinthians.
Existem torcedores lutando por mudanças, promovendo manifestações e até apoiando movimentos que defendem uma intervenção judicial no clube — alternativa que, no mínimo, seria um verdadeiro “tiro no escuro”.
Acredito que a saída mais viável esteja no fortalecimento e na regulamentação da participação do torcedor corinthiano, independentemente de sua localização no Brasil ou no mundo!!!
Em resumo: os associados e conselheiros do clube precisam abrir mão do comando do futebol — ou ser afastados dele; o Corinthians precisa ter administrações separadas para o clube social e para o futebol; e todos os corinthianos devem ter o direito, assegurado estatutariamente, de participar, votar e contribuir.
“O Corinthians precisa do amor de todos os corinthianos.”
Saudações corinthianas,
Cláudio Faria Romero
Vila Maria