Tudo indica que a renovação contratual de Memphis Depay com o Corinthians está próxima de ser concluída. A negociação ocorre em meio à gravíssima situação financeira do Clube, vítima de problemas acumulados por diferentes administrações, inclusive durante o longo período do grupo Renovação e Transparência. Na gestão de Augusto Melo, porém, as finanças corinthianas enfrentaram aquilo que pode ser definido como um verdadeiro “tsunami financeiro”.
A atual gestão de Osmar Stábile enfrenta “temporais financeiros” praticamente todos os dias. Entre os principais problemas está o contrato firmado com Memphis Depay, considerado, em minha avaliação, um dos mais prejudiciais da história do futebol corinthiano. O vínculo poderia alcançar aproximadamente R$ 120 milhões, sem considerar integralmente todos os encargos assumidos pelo Clube.
Memphis é um jogador talentoso, mas está longe de apresentar, de maneira constante, um futebol compatível com o elevado investimento realizado. Além disso, frequentemente ganha maior destaque por suas atividades e eventos extracampo do que por suas atuações com a camisa alvinegra.
Em 2026, o atacante teve uma temporada discreta pelo Corinthians, disputando apenas 14 partidas, com um gol e uma assistência até este momento. Na avaliação deste colunista, também teve um desempenho muito abaixo do esperado na Copa do Mundo. Uma lesão muscular, inicialmente considerada de menor gravidade, acabou afastando o jogador por um período prolongado.
É evidente que a negociação para a renovação está diretamente relacionada à dívida acumulada pelo Corinthians com Memphis, estimada em aproximadamente R$ 42 milhões. O acordo discutido prevê o parcelamento desse valor durante o novo vínculo.
Não considero adequado definir a negociação como “chantagem” sem a apresentação de provas concretas. Entretanto, é inegável que a dívida reduziu consideravelmente o poder de negociação do Corinthians, colocando o Clube entre a cruz e a espada.
Caso o contrato não fosse renovado, o Corinthians poderia enfrentar cobranças imediatas e consequências ainda mais graves para as já debilitadas finanças corinthianas. Em minha avaliação, a dívida foi um dos fatores decisivos para que a permanência do jogador se tornasse praticamente inevitável.
Diante desse cenário, considero necessária a inclusão de cláusulas rigorosas de disciplina, desempenho e responsabilidade profissional, entre elas:
- Limitação de grandes eventos particulares durante períodos de jogos oficiais, especialmente quando puderem comprometer o descanso, a recuperação e a preparação física do atleta;
- Prioridade para que avaliações, tratamentos médicos e processos de recuperação sejam realizados ou supervisionados pelo Departamento Médico do Corinthians, salvo quando houver autorização formal do Clube;
- Respeito público aos profissionais dos departamentos médico, físico e de futebol, evitando acusações ou insinuações que possam prejudicar injustamente a imagem da instituição;
- Cumprimento rigoroso das obrigações profissionais, com preparação adequada, comprometimento, raça e determinação compatíveis com as exigências da camisa corinthiana;
- Respeito às funções institucionais, evitando interferências ou manifestações públicas sobre assuntos administrativos que não estejam diretamente relacionados às atribuições do jogador;
- Metas objetivas de participação, desempenho, condicionamento físico e disponibilidade para as partidas.
Para a conclusão do acordo, o Corinthians programou uma bateria de exames médicos. A avaliação é especialmente importante diante do histórico recente de problemas físicos do atacante. O Clube somente pretende reintegrá-lo ao elenco depois da assinatura do novo vínculo.
Pedro Silveira
Nos últimos meses, o Corinthians enfrentou uma sequência de crises políticas e administrativas, com afastamentos, renúncias e questionamentos envolvendo dirigentes de diferentes setores.
Nesse contexto, surge novamente o nome de Pedro Silveira, ex-diretor financeiro do Clube e um dos profissionais diretamente envolvidos na contratação de Memphis Depay. Os documentos ligados ao acordo foram assinados por Memphis, Augusto Melo, Vinícius Cascone e Pedro Silveira.
Em minha avaliação, Pedro Silveira teve participação relevante na elaboração de um contrato que concedeu benefícios financeiros excessivos ao jogador e criou obrigações incompatíveis com a realidade econômica do Corinthians.
Silveira também comandou o Departamento Financeiro durante grande parte da gestão de Augusto Melo. O balanço financeiro de 2024 apresentou um crescimento expressivo do passivo do Clube. É necessário observar, contudo, que parte desse aumento decorreu da inclusão contábil de dívidas e contingências de administrações anteriores, segundo explicações apresentadas pelo próprio departamento financeiro.
Pedro Silveira deixou o cargo alegando problemas de saúde pouco depois da entrega do balanço. Sua saída ocorreu em um momento extremamente delicado, quando as contas do Clube estavam sendo analisadas pelos órgãos internos.
Depois de deixar a Diretoria, Silveira manteve uma relação pública de amizade e proximidade com Memphis Depay. Essa proximidade, isoladamente, não comprova que ele represente os interesses profissionais do jogador ou que esteja atuando contra o Corinthians. Entretanto, diante de sua participação na contratação e de seu antigo cargo, considero indispensável que ele esclareça publicamente a natureza dessa relação.
Também precisam ser esclarecidas eventuais participações de Pedro Silveira em reuniões, encontros empresariais, negociações ou agendas relacionadas ao jogador. Caso existam convocações formais do Conselho de Orientação — CORI que não tenham sido atendidas, os documentos correspondentes devem ser apresentados para que o assunto seja devidamente analisado.
Na minha opinião, Pedro Silveira precisa explicar:
- Como o contrato de Memphis Depay foi estruturado;
- Quais estudos financeiros foram realizados antes da assinatura;
- Quais garantias foram apresentadas ao jogador;
- Por que o Corinthians assumiu obrigações tão elevadas;
- Qual é atualmente sua relação pessoal ou profissional com Memphis e seus representantes;
- Se continua participando, direta ou indiretamente, de negociações envolvendo o atleta.
Há ainda a alegação de que Pedro Silveira teria oferecido uma garantia pessoal a Memphis Depay, comprometendo-se a assumir determinadas obrigações caso o Corinthians não honrasse o contrato. Até que seja apresentado um documento ou uma declaração pública inequívoca, essa informação deve ser tratada como alegação a ser comprovada, e não como fato definitivo.
Portanto, não é juridicamente correto afirmar, sem documentação, que a dívida de aproximadamente R$ 42 milhões pertence pessoalmente a Pedro Silveira. Entretanto, caso tenha realmente concedido uma garantia pessoal formal, ele deverá explicar o alcance desse compromisso e a eventual responsabilidade assumida.
O contrato de Memphis Depay, a participação dos antigos dirigentes e o crescimento das obrigações financeiras do Corinthians precisam ser investigados com transparência, responsabilidade e respeito ao patrimônio do Clube.
Pedro Silveira tem muito a explicar. Tudo o que eventualmente tenha causado prejuízos ao Corinthians precisa ser devidamente esclarecido e passado a limpo.
Cláudio Faria Romero — Vila Maria
“O Corinthians precisa do amor de todos os corinthianos!”