Amigos corinthianos, a longa novela sobre a permanência de Memphis Depay terminou. O Corinthians decidiu não renovar o contrato do atacante, alegando preocupação com a saúde financeira e a sustentabilidade do Clube.
Na minha opinião, não fazia nenhum sentido manter o jogador no elenco, muito menos por meio de um contrato tão oneroso. O vínculo anterior foi celebrado durante uma gestão que considero irresponsável, presidida por Augusto Melo e que tinha Pedro Silveira como diretor financeiro em parte daquele período.
Quanto ao retorno técnico, há, no mínimo, exagero em atribuir responsabilidade quase total ao “craque holandês” pelas conquistas do Campeonato Paulista de 2025, da Copa do Brasil de 2025 e da Supercopa de 2026. Memphis teve sua parcela de contribuição, evidentemente, mas outros jogadores também foram extremamente importantes para essas conquistas. O próprio Corinthians destacou oficialmente os três títulos na despedida do atacante.
Entre eles, cito Hugo Souza, que defendeu pênaltis importantes; Yuri Alberto, com gols e a excelente assistência para o gol do holandês na Copa do Brasil; além dos laterais Matheuzinho e Matheus Bidu, do zagueiro Gustavo Henrique e dos meias Rodrigo Garro e Breno Bidon.
Se Memphis Depay estivesse realmente disposto a contribuir ainda mais com o Corinthians, na minha avaliação, deveria ter se cuidado melhor para preservar seu condicionamento físico. Em 2026, começou o ano sendo preservado nos primeiros cinco jogos para recondicionamento. Na conquista da Supercopa contra o Flamengo, teve participação discreta.
Posteriormente, no jogo contra o mesmo Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, sofreu uma lesão na coxa. O problema físico o deixou afastado por um longo período e prejudicou sua sequência na temporada. Antes da Copa do Mundo, Memphis precisou acelerar sua recuperação para estar à disposição da seleção holandesa.
Memphis Depay, na minha avaliação, muitas vezes não demonstrou nos jogos do Corinthians a intensidade esperada de um atleta com tamanha importância e remuneração. Ao mesmo tempo, sempre existiu a expectativa em torno de sua participação nos compromissos da Holanda, tanto nas Datas FIFA quanto na Copa do Mundo.
Mesmo assim, sua participação no Mundial foi pequena: Memphis atuou apenas 70 minutos nos quatro jogos da Holanda, sem marcar gols e com apenas uma assistência.
Com o Corinthians tendo compromissos importantes, Memphis “ganhou 25 dias de férias”, mesmo em uma temporada na qual pouco havia atuado. Ainda assim, sua reapresentação ocorreu posteriormente ao período inicialmente esperado, o que impossibilitou sua participação em partidas importantes da Copa do Brasil e complicaria sua presença no primeiro jogo das oitavas de final da Libertadores.
Memphis Depay: Fator Pedro Silveira
Mesmo entre os corinthianos que defendiam a permanência de Memphis Depay — opinião que respeito —, havia fortes questionamentos sobre o custo do contrato e as inúmeras vantagens previstas no acordo.
Entre elas estavam bônus relacionados a gols, assistências e conquistas de títulos, além de despesas envolvendo segurança, cozinheira, passagens aéreas e hospedagem de alto padrão. Durante sua passagem pelo Clube, o jogador também realizou comemorações particulares em períodos próximos a compromissos oficiais.
Considerando o custo total de sua passagem pelo Clube e o número de partidas disputadas, Memphis representou um investimento extremamente elevado por jogo realizado, principalmente porque várias dessas partidas sequer foram disputadas integralmente pelo atacante.
Na minha avaliação, o custo chegava a um patamar comparável àquilo que o Corinthians consegue arrecadar em determinadas partidas na Neo Química Arena.
No novo acordo que vinha sendo negociado, o custo mensal poderia superar R$ 3 milhões, além da necessidade de solucionar a enorme dívida acumulada com o jogador. Atualmente, a dívida do Corinthians com Memphis é estimada em cerca de R$ 77 milhões, considerando valores principais, multas e juros.
Em 2026, Memphis havia entrado em campo apenas 14 vezes pelo Corinthians antes da fase final das negociações para renovação. Esse baixo número de partidas foi, inclusive, um dos fatores utilizados internamente para avaliar o custo-benefício da permanência do atacante.
E chegamos a Pedro Silveira, que teve participação direta na contratação de Memphis Depay pelo Corinthians. Como diretor financeiro, foi um dos dirigentes responsáveis por viabilizar financeiramente o negócio e manteve contato próximo com o estafe do jogador.
Pedro Silveira deixou a Diretoria Financeira do Corinthians em abril de 2025, alegando questões médicas, justamente em um período extremamente delicado para as finanças do Clube e um dia depois de o Conselho Fiscal recomendar a reprovação das contas de 2024.
Posteriormente, manteve uma relação pública de amizade e proximidade com Memphis Depay, participando inclusive de eventos ligados ao jogador. Essa proximidade, evidentemente, por si só não comprova qualquer irregularidade. Entretanto, diante de sua participação direta na contratação e de seu antigo cargo no Corinthians, considero legítimo questionar e pedir esclarecimentos sobre sua atuação e sua relação atual com Memphis e seus representantes. Há registro, por exemplo, da presença de Silveira em evento promovido por Memphis em Gana.
Na minha avaliação, Pedro Silveira precisa explicar detalhadamente sua participação na elaboração daquele contrato, as garantias concedidas, os estudos financeiros realizados e de que maneira o Corinthians assumiu obrigações tão elevadas.
Resumindo: considero que Pedro Silveira possui responsabilidade política e administrativa pelas decisões financeiras tomadas durante sua passagem pelo Corinthians, entre elas a participação na contratação de Memphis Depay e na estruturação de seu oneroso contrato.
E, diante das notícias sobre sua proximidade com o jogador durante as negociações para uma eventual renovação, surge uma pergunta inevitável:
Onde estão a ética, a responsabilidade administrativa e o amor ao Corinthians?
Há ainda uma informação que considero fundamental esclarecer. Segundo declaração atribuída a Pedro Silveira, ele teria oferecido uma garantia pessoal a Memphis Depay, comprometendo-se a assumir determinadas obrigações caso o Corinthians não honrasse seus compromissos com o jogador.
Esse ponto precisa ser comprovado documentalmente. Sem a existência de uma garantia formal, não é juridicamente correto afirmar que a dívida do Corinthians com Memphis pertence pessoalmente a Pedro Silveira. Caso essa garantia efetivamente exista, porém, seu alcance e suas consequências precisam ser esclarecidos publicamente.
Por isso, no aspecto moral e político, considero que Pedro Silveira precisa prestar muitos esclarecimentos sobre o contrato de Memphis Depay e sobre sua responsabilidade na construção desse acordo.
A novela terminou com a decisão do Corinthians de não renovar. Memphis, por sua vez, classificou a postura do Clube como “comportamento inaceitável” e prometeu reagir.
Cláudio Faria Romero — Vila Maria
“O Corinthians precisa do Amor de todos os Corinthianos”