Amigos corinthianos, acreditem: eu pretendia deixar de lado tudo o que considerei errado no horrível contrato celebrado quando Memphis Depay chegou ao Corinthians. Iria “colocar uma pedra no passado” e torcer para que o “craque holandês” realmente demonstrasse, dentro de campo, um futebol digno de toda a badalação que parte da mídia lhe confere — e que também conta com o respaldo de uma grande parcela da Fiel Torcida.
Tenho 72 anos e frequento o Parque São Jorge desde 1965, como sócio. Antes mesmo disso, já havia presenciado jogos na querida Fazendinha. O Corinthians é fruto do trabalho de várias gerações de corinthianos e é o maior clube do Brasil entre aqueles que têm o futebol como carro-chefe. É um orgulho para todos nós.
Jamais imaginaria que um jogador que estava no ostracismo na Europa quando chegou ao Corinthians — e que deve ao clube o retorno de suas convocações para a Seleção Holandesa — publicasse uma imagem tão odiosa.
Contemplar o Parque São Jorge pegando fogo, como resposta às supostas “injustiças” que acredita ter sofrido no Corinthians, ultrapassou todos os limites.
Por outro lado, o episódio demonstra o quanto o Corinthians está na defensiva. No sábado, assim como em outras ocasiões, houve uma grande manifestação, e o expressivo número de corinthianos presentes protestou. Contudo, esses torcedores jamais promoveram ou admitiriam a dilapidação do Parque São Jorge.
É evidente que Memphis Depay, que não é muito bem-quisto nem mesmo em seu país, está servindo aos próprios interesses e, diante de evidências gritantes, fazendo o jogo de seu melhor amigo em solo brasileiro: Pedro Silveira.
Repito: Pedro Silveira, péssimo diretor financeiro da nefasta gestão de Augusto Melo, é o maior responsável pelo calamitoso contrato de Memphis Depay. Além disso, nunca negou seu interesse em chegar à presidência do Corinthians.
Algo surreal, pois ajudou a dinamitar financeiramente o clube e pediu afastamento da Diretoria Financeira para não precisar apresentar ao Conselho Deliberativo os terríveis números do balanço de 2024. Depois disso, descaradamente, Pedro Silveira tornou-se procurador de Memphis Depay, defendendo os interesses do jogador contra o próprio Corinthians.
Entretanto, Memphis Depay é tratado como uma “celebridade”. Quando dá uma assistência — como no chute em direção ao gol, antecipado por Breno Bidon, que marcou contra o Rosário Central —, a assistência é exaltada. Mas, quando marca contra o Vasco, pela Copa do Brasil, depois de uma jogada brilhante de Breno Bidon e de uma verdadeira assistência de Yuri Alberto, é o “gol” do holandês que recebe todos os holofotes.
Foram 20 gols marcados em dois anos. Considerando o enorme valor que recebeu e ainda tem a receber, cada gol custou mais de R$ 7 milhões às finanças corinthianas. Além disso, foram 15 assistências. Para efeito de comparação, Garro, somente em 2026, já concedeu sete ou oito assistências.
Se nos lembrarmos de jogadores como Sócrates, Marcelinho Carioca e Neto, qualquer comparação seria humilhante para o “craque holandês”. E os três, somados, não receberam nem a metade — considerando os valores corrigidos — do que o holandês está embolsando no Corinthians.
Amigos corinthianos, o modelo administrativo baseado no Parque São Jorge está superado há muito tempo. O Corinthians precisa separar a administração do futebol da administração do clube social.
Também precisa ser criada uma verdadeira categoria de Sócio-Torcedor, com direito de votar e ser votado. Procurem conhecer o modelo que está sendo implantado no River Plate.
Essa proposta é muito diferente daquela presente na pífia reforma estatutária que será votada, a qual pretende conceder direito de voto aos integrantes do Fiel Torcedor — programa criado exclusivamente para a comercialização de ingressos.
Essa mudança apenas fortalecerá o atual status quo, pois os votos continuariam direcionados aos mesmos grupos, conselheiros e candidatos à presidência.
Diante de tudo isso, algo precisa ser restabelecido em homenagem a todos os corinthianos que contribuíram para erguer o Parque São Jorge:
“O Corinthians precisa do amor de todos os corinthianos.”
Cláudio Faria Romero – Vila Maria