Quarta-feira, amigos corinthianos! Nesta loucura do tempo, parece que estamos saindo do inverno e entrando no verão… Haja saúde — e todos terão — para seguirmos em frente!
Está ficando cada vez mais complicado encontrar soluções para o Corinthians. O clube enfrenta graves problemas financeiros, resultado de sucessivas administrações problemáticas. Uma situação que atingiu seu ponto mais crítico durante a gestão de Augusto Melo, que tinha Pedro Silveira como diretor financeiro.
Infelizmente, o Corinthians está com a credibilidade lá embaixo: ex-presidentes expulsos; vice-presidente envolvido em problemas; presidente do Conselho afastado e posteriormente reconduzido; além de membros influentes da administração de Augusto Melo expulsos e, depois, reintegrados ao quadro associativo.
Como recuperar a confiança de investidores, parceiros e credores diante de um ambiente político tão conturbado?
Além disso, o clube enfrenta três transfer bans e problemas de pagamento com o elenco principal e, infelizmente, também com as Brabas. A dívida do Corinthians tornou-se um dos maiores obstáculos para qualquer tentativa de recuperação administrativa e esportiva.
A única saída capaz de aliviar a situação, embora apenas no curto prazo, é a realização de boas vendas de jogadores. É o que pode acontecer caso avance uma negociação do meio-campista André Luiz com o futebol inglês.
Não existe alternativa: a venda precisa ser concretizada, mesmo que o jogador seja negociado por cerca de 15 milhões de euros. Enquanto isso, nosso principal rival vende Allan, mais velho, por aproximadamente 40 milhões de euros…
Vejam bem: quando o tsunami representado pela gestão de Augusto Melo foi derrubado, deveria ter surgido uma grande união corinthiana para auxiliar o presidente que assumiu, Osmar Stabile, a enfrentar um dos piores momentos da história do clube.
Isso não aconteceu.
Embora o Corinthians esteja sendo administrado com seriedade e responsabilidade financeira, as medidas adotadas ainda não foram — e dificilmente serão — suficientes para superar, sozinhas, essa situação terrível.
Paralelamente, o Corinthians precisa buscar novos parceiros, renegociar as condições da Neo Química Arena, tentar obter um novo contrato de naming rights e encontrar melhores condições para quitar seu enorme passivo.
Mas pergunto: existem condições para que isso aconteça com um clube extremamente dividido, com ex-presidentes expulsos e com notícias negativas partindo de dentro do próprio Corinthians?
Além disso, o “mundo político” já está pensando nas próximas eleições, nas quais as chances de uma verdadeira mudança parecem cada vez menores. Como restaurar a credibilidade indispensável para a recuperação do clube?
Amigos corinthianos, vou insistir na mesma tese: sem mudanças estruturais, não existem soluções para o atual status quo.
Entre essas mudanças, destaco a separação administrativa entre o futebol e o clube e, paralelamente, a criação da categoria Sócio-Torcedor, com direito a votar e ser votado.
A participação efetiva dos corinthianos precisa estar assegurada no Estatuto Social. O Corinthians pertence à sua imensa torcida e deve abrir espaço para que seus milhões de torcedores possam participar, contribuir e ajudar a decidir os caminhos da instituição.
O River Plate, por exemplo, atravessava sérias dificuldades, recorreu aos seus torcedores e hoje possui quase 400 mil associados. São esses associados que ajudam a tornar possível a recuperação do clube argentino, inclusive com elevados investimentos em seu elenco.
O Corinthians também possui uma torcida gigantesca e apaixonada. Entretanto, precisa criar mecanismos transparentes para transformar toda essa força em participação, receitas, fiscalização e desenvolvimento institucional.
Em tempo
Os pedidos de intervenção judicial no Corinthians, tudo o que envolve a presença de Memphis Depay e a atuação de Pedro Silveira na contratação do jogador serão temas da próxima postagem, ainda nesta quarta-feira.
Saudações corinthianas!
Cláudio Faria Romero — Vila Maria
“O Corinthians precisa do amor de todos os corinthianos.”